segunda-feira, 4 de abril de 2011

Poema

Com olhar desconfiado
Foge das multidões
O rosto cansado e triste
Vai escondendo as
emoções

De mãos tremulas e sujas
Inchadas e com feridas
Ele procura no lixo
Roupas velhas e comida


A sua cama é de cartão
Dorme num vão de escada
Ele vive amargurado
Porque a sua
vida é nada..

Não sabe para onde vai
Nem quem vai encontrar
Não sabe quando come
E
 não se  lembra de amar
Considerado por muitos
Corpo estranho no caminho
Esquecemos de o proteger
Dar-lhe
abrigo e carinho

Vive de
recordações
E de um longínquo passado
Refugia-se no álcool ou drogas
E é pela sociedade condenado

Na rua, no parque ou no café
Olhamo-lo como alma perdida
Mas ele não é só um
corpo
É
humano e têm vida"